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04 DE JULHO DE 2011
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adicionados às demais informações necessárias, com os devidos créditos atribuídos.
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PROJETO DIDÁTICO

PROJETO DIDÁTICO: Reunião de atividades que se articulam para a elaboração de um produto final forte, em que podem ser observados os processos de aprendizagem e os conteúdos aprendidos pelos alunos. Costuma partir de um desafio ou situação-problema. Trabalhados com uma frequência diária ou semanal, podem estender-se por períodos relativamente prolongados (um ou dois meses, por exemplo), tornando os alunos especialistas num determinado tema.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Projeto: Causos


NARRATIVAS LITERÁRIAS
“CAUSOS”

Temas Transversais: Pluralidade Cultural
Tempo de duração: 4 meses
Fontes de informação: Livros de causos, jornais, revistas, CD-Rom, Internet, contadores de histórias da comunidade
Colaboradores: Escritores e contadores da comunidade e instituições que guardam registros de narrativas locais
Recursos Tecnológicos: Computador e gravador
JUSTIFICATIVA
Com tantos livros de literatura infanto-juvenil, como eleger quais os melhores e mais importantes para envolver as crianças no universo literário? Uma grande parte desses livros possui pouca substância e, por isso, é difícil extrair deles significados mais interessantes. O ato de ler fica sem sentido quando o que se aprendeu a ler não acrescenta nada de importante para nossas vidas. A idéia, portanto, é simples: a promessa de que a leitura enriquece a vida fica vazia se as histórias que lemos ou escutamos são ocas. Até aqui, procuramos chamar atenção para a qualidade do texto que o professor deve eleger para trabalhar com seus alunos. O material deve ter muito valor literário, o que nos leva a ter que escolher boas versões, produzidas por boas editoras que se preocuparam, de fato, em manter ou se aproximar dos textos originalmente escritos. Acontece que outro critério deve entrar em cena: o tema dos textos. Quais são os temas mais interessantes para os alunos do segundo ciclo? Será que tanto faz ler um conto de fadas ou um conto de mistério se ambos estão bem escritos? Claro que sempre é importante ler o que tiver qualidade, mas faz-se necessário escolher histórias cujos assuntos chamem atenção e despertem mais o interesse dos nossos alunos e, neste sentido, parece-nos que contos de mistério, aventura ou histórias cômicas para o segundo ciclo fariam mais sucesso. Há livros que conseguem conversar com a gente como se nos conhecessem ou fossem nossos amigos. Essa é a intimidade que devemos procurar ao escolher o que será lido para os alunos – A história diverte? Emociona? Provoca suspense? Foi bem escrita?
Esperamos que as questões tenham ficado claras para que possamos avançar a outro ponto: se também há tantas boas histórias escritas, por que não passamos a ter, como único critério, lê-las sem nos preocupar se são contos de piratas, contos de assombração, causos, lendas, crônicas etc.? Essa é uma boa pergunta que se coloca. De um lado, faz-se necessário dizer que é fundamental ler sempre para os alunos bons textos, tendo como objetivo ampliar o repertório literário e construir o gosto pela leitura. Mas, em um projeto de Narrativas, precisamos delimitar um campo da literatura para que as crianças possam, ao longo do caminho, apropriarem-se das características de determinados gêneros.
Causos são narrativas populares de tradição oral e, atualmente, vêm sendo resgatados por pesquisadores junto a pessoas de diferentes comunidades – assim como já fizeram Câmara Cascudo e Silvio Romero. Segundo Cascudo, as características desse tipo de texto são: antigüidade, anonimato, divulgação e persistência. Antigüidade porque, para ganhar o status de causos, a narrativa precisa ser antiga e estar circulando por entre gerações há tempos. Outra característica apontada por esses pesquisadores é que a maioria dos causos não necessariamente apresenta os nomes dos personagens (podemos encontrar somente Caboclo ou Padre, por exemplo), mas, sim, a essência de sua ações e suas principais características. Esta narrativa é tradicionalmente ensinada através da comunicação oral e, portanto, sua autoria é desconhecida por perder-se ao longo do tempo. Os causos incorporam elementos do cotidiano, da cultura local, de sentimentos universais, do humor ingênuo, dos ensinamentos essenciais sobre a morte e vida. Sobre as características lingüísticas, podemos observar que, nos causos, é possível encontrar expressões como “muié”, “tar quar”, “entonces”, porque essa linguagem é própria dos personagens que habitam a narrativa. Outra questão diz respeito à predominância de narrativas em primeira pessoa em que o narrador atribui veracidade ao relato (“se é verdade, sei não; só sei que acredito”). Essas especificidades, se percebidas, contribuem para que os alunos construam regularidades e se aproximem dos gêneros literários. Mas, por que é importante a apropriação cada vez maior de determinado gênero? Para que os alunos possam transitar por ele com mais facilidade e capacidade de compreensão da história. Se eles já se aproximaram, poderão deduzir certas questões e antecipar conclusões que farão com que consigam seguir melhor o fio da narrativa. Para esclarecer essa idéia, vamos pensar na gente mesmo. Por vezes, ao lermos um texto de um gênero desconhecido, temos dificuldades para compreendê-lo, porque muitas são as questões envolvidas: a trama, a forma com que foi construído, as idéias, expressões mais freqüentes e outras. Não é à toa que, em geral, realizamos uma segunda leitura na busca de melhor compreensão, porque já conhecemos quais são as questões. Assim, a regularidade do trabalho intencional com um gênero propicia tanto a compreensão do conteúdo como da forma como se organiza.
A relevância do trabalho com causos no segundo ciclo se caracteriza pelos seguintes aspectos: a possibilidade de conhecer, construir e contar bons causos; o resgate da cultura local através dos causos contados por pessoas da comunidade; a valorização da tradição oral; e por ser a História uma grande narrativa em contínua construção.
A proposta deste projeto é que os alunos conheçam diversos causos. Mas, além de conhecerem, é importante que saibam recontá-los com segurança e fluência, que sintam prazer com a leitura desse tipo de texto, estejam lendo ou ouvindo o professor ler; e que escrevam um livro inspirados no material lido e/ou criado. Também podem gravar fitas cassetes contendo alguns causos contados pelos alunos para serem distribuídas às bibliotecas escolares e aos colaboradores. Podem ainda atuar como contadores de história para as crianças de outras classes, escolas, para os pais ou outro público que a classe escolha. Dessa forma, não apenas estarão trabalhando questões específicas da Língua Portuguesa como também ampliarão suas experiências de convívio social.
APRENDIZAGEM DOS ALUNOS:
PRÁTICA DE LEITURA
Interessar-se em ler e ouvir causos, manifestando sentimentos, experiências, idéias e opiniões em situações de leitura compartilhada e/ou recorrendo à biblioteca da classe, da escola ou do bairro.
Reconhecer algumas convenções típicas do gênero (expressões próprias da linguagem oral; marcas gráficas que enunciam os diálogos; componentes da narrativa - fatos, personagens, espaço e tempo etc.).
Preparar a leitura para uma audiência (pais, outros colegas, pessoas da comunidade).
Identificar aspectos da cultura local através da familiaridade com os causos lidos ou ouvidos, de seus temas mais freqüentes e da variedade dialetal predominante.
Antecipar o conteúdo dos textos a partir do título, subtítulo, imagens, capa, contracapa.
Buscar pistas nos textos para verificar antecipações.
Reconhecer diferentes expressões utilizadas pelo autor para designar o mesmo objeto ou personagem ou realizar inferências a partir das mesmas.
Identificar os interlocutores dos diálogos.
Coordenar informações proporcionadas pelo texto com informações provenientes das imagens.
Distinguir o que se entende e o que não se entende no texto que está sendo lido.
Utilizar recursos para superar dificuldades de compreensão durante a leitura (pedir ajuda aos colegas ou ao professor, reler o trecho que provoca dificuldades, continuar a leitura com a intenção de que o mesmo texto permita resolver as dúvidas).
Procurar compreender o significado de uma palavra desconhecida no texto a partir do contexto e do estabelecimento de relações com a trama.
PRÁTICA DE ESCRITA
Utilizar recursos mais adequados à produção de textos narrativos: tipo de linguagem mais usual, posição do enunciador, temas mais freqüentes, expressões utilizadas, apresentação da estrutura do texto, recursos gramaticais etc.
Utilizar expressões próprias da língua escrita e/ou manter marcas da oralidade (retiradas do texto original ou de outros textos já lidos).
Utilizar expressões que caracterizam os personagens (características físicas ou de estado).
Utilizar expressões próprias da língua escrita e/ou da linguagem oral para a descrição de cenários e para o encadeamento de episódios do texto (marcadores temporais, conectivos).
Analisar e refletir, com ajuda do professor e dos colegas, acerca dos recursos lingüísticos utilizados na resolução de problemas colocados pelas diversas situações de produção dos textos, compartilhando descobertas sobre regularidades que regem a língua, sistematizando conhecimentos relativos a aspectos discursivos, gramaticais e ortográficos.
Ao escrever, garantir a seqüência de fatos e de acontecimentos do texto.
Transcrever, textualmente, causos contados por pessoas da comunidade (gravados); organizar acontecimentos; separar em turnos de falas e resolver problemas colocados pela passagem da oralidade à escrita, mantendo algumas marcas típicas da variedade regional.
Colaborar em situações de produção coletiva de textos, acompanhando seu desenvolvimento, dando idéias acerca do que deve ser escrito, suprimido, modificado etc.
Colaborar em situações de produção de textos em duplas ou em pequenos grupos, atendo-se à sua função (quer seja a de produtor, revisor ou escriba).
Utilizar procedimentos e recursos próprios da produção de textos quando a tarefa for realizada individualmente (planejar o que vai escrever, utilizar rascunhos, revisar seu próprio texto simultaneamente à produção etc.).
Preservar o propósito comunicativo que se persegue ao longo da produção (manter o suspense; provocar determinados sentimentos no leitor: tristeza, graça, dúvida, pena, felicidade; utilizar recursos que procuram dar veracidade a fatos ou acontecimentos exagerados ou mentirosos etc.).
Revisar o texto com a intenção de evitar repetições desnecessárias (por meio de substituição pronominal ou lexical, uso de vírgulas, supressão do sujeito etc.); evitar ambigüidades; articular partes do texto (por meio de conectivos e pontuação); garantir concordância verbal e nominal; apresentar o texto cuidando de sua legibilidade.
Revisar o texto do ponto de vista ortográfico,
considerando as regularidades aprendidas e a
ortografia convencional de palavras de uso
freqüente, transgressões intencionais
representativas da variedade dialetal, uso de maiúscula ou minúscula a partir da distinção entre nomes próprios e comuns e no início de orações.
Utilizar sinais de pontuação com a intenção de garantir a coesão textual.
COMUNICAÇÃO ORAL
Contar causos, levando em conta expressões mais usuais, entonação mais adequada (diferentes tons para diferentes falas de personagens, mudanças bruscas de situação), altura da voz, ritmo (de modo que o ouvinte entenda o que está sendo dito ao mesmo tempo em que encanta-se e se entretém com o enredo).
Indicar leituras, fundamentando suas opiniões e preferências.
DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
LENDO CAUSOS
Quais são os melhores causos para se contar aos alunos do segundo ciclo? Que histórias interessam a eles e prendem sua atenção? Quais já são conhecidas? Quais as favoritas? Essas são as questões iniciais com as quais o professor pode se preocupar, visando selecionar uma bibliografia variada e com qualidade literária, fundamental para o desenvolvimento do projeto, conforme o produto final escolhido. É importante que o professor defina o recorte do projeto ou seja, qual o tipo de texto, e que depois pesquise autores, livros e histórias para selecionar quais serão trabalhados com os alunos (há causos de diferentes tipos - Câmara Cascudo classificou-os seguindo suas características mais marcantes: causos de encantamento, de ciclo da morte, de animais e outros) e também para que entrem em contato com as características próprias do tipo de texto escolhido (tipo de linguagem mais usual, temas mais freqüentes, expressões utilizadas, apresentação da estrutura do texto etc.). Para o bom desenvolvimento do projeto não interessa tanto a quantidade de textos a serem trabalhados, mas, interessam sim, a qualidade investida no processo e a ênfase nas atividades de leitura, reconto, reescrita e revisão. Isso não significa, entretanto, que o professor deva se limitar à leitura dos causos escolhidos para o desenvolvimento do projeto, já que é muito importante para a aprendizagem das crianças o contato com muitas histórias.
O PROFESSOR LÊ PARA OS ALUNOS
A leitura de várias histórias, contos, causos e crônicas constitui-se em momento prazeroso e esperado pelos alunos. Não é porque o professor optou por trabalhar com causos que não deva ler outros tipos de textos em outros momentos. É importante que o professor leia freqüentemente para eles, porque estará oferecendo um bom modelo de comportamento leitor (fazer relações entre conteúdos e formas das histórias, expressar diferentes sentimentos de acordo com os momentos de suspense, romantismo, tristeza etc., convidar os alunos a opinarem sobre determinados fatos, chamar atenção da classe para a beleza de uma frase ou para um trecho muito bem escrito e outros).
O momento da leitura é muito importante e especial; por isso, deve-se preparar a hora e o lugar apropriados (pode ser na biblioteca; embaixo de uma árvore; na sala de aula, com as cadeiras organizadas em semicírculo, almofadas e tapetes no chão etc.). É fundamental que cada professor pense em como o espaço pode se tornar confortável e agradável para a classe e viável para a realidade escolar. É interessante que, antes da audição de histórias, o professor leia os textos, já buscando planejar uma apresentação fluente e que encante e entretenha os alunos. Variações nas formas de leitura são bem-vindas:
Lendo com parceiros, ou seja, convidando alguns alunos para dizerem as falas de personagens quando for o caso.
Nos causos, o professor pode optar por trabalhar fundamentalmente com a coleta desse tipo de narrativa oral na comunidade e a reescrita dos mesmos, mas isto não impede que selecione algum livro de causos e leia para os alunos. Já pensou como seria interessante se, ao final do projeto, além de coletarem os causos da comunidade, os alunos também tiverem a oportunidade de conhecer um pesquisador que fez o mesmo trabalho que estão realizando?
ALUNOS LÊEM POR CONTA PRÓPRIA
Já falamos sobre a possibilidade de eles serem os leitores em rodas de leitura compartilhada, fazendo as falas de personagens determinados. Também podem assumir o papel da leitura de um texto para a classe (vale ressaltar que o professor deve ajustar o que será lido à capacidade do aluno, ou seja, um aluno poderá ter condições de ler um conto inteiro; outro, uma página inteira, enquanto um terceiro, apenas um parágrafo). Mais uma vez, não importa a quantidade, mas, sim, a qualidade da leitura. Se o aluno que for ler apenas um parágrafo tem, por exemplo, dificuldades com a fluência, faz-se necessário que “bata o olho” no texto antes para poder prever as palavras que poderiam lhe causar dúvidas, ou que o leve para ler em casa no dia anterior. Ampliaremos as sugestões a seguir. Em textos já conhecidos e trabalhados, o professor poderá propor:
A busca de informações: a partir de atividades como essa, os alunos poderão perceber quais os diferentes recursos lingüísticos utilizados pelos autores, ou seja, quais as possibilidades que a linguagem escrita oferece para compor um texto. Outras questões que poderão ainda ser investigadas dizem respeito às características de ambientação ou de personagens. Quando os autores interrompem uma ação para descrever os detalhes de determinada casa, por exemplo, fazem com que o leitor viaje para esse lugar. Quando descrevem a forma de caminhar de um personagem podem estar também indicando características psicológicas que estão por trás. Propondo que os alunos procurem esses recursos, o professor também os estará ajudando a buscar critérios, elementos e modelos que serão utilizados nas atividades de produção de textos orais ou escritos.
Preparação de leitura em voz alta: esta prática é importante para o leitor, pois coloca em jogo aprendizagens, como: ritmo da leitura, conhecimento sobre características físicas e psicológicas dos personagens e sua relação com a voz em momentos de diálogo, adequação da voz e do jeito de narrar à situação (em momentos de mistério, por exemplo) etc. Para o aluno ouvinte é uma atividade igualmente enriquecedora, porque, nessas situações, ele tem a chance de observar um colega mais experiente que compartilha seus conhecimentos.
Considerando que se trata de um segundo ciclo, não apenas os textos conhecidos e trabalhados devem sugerir propostas de trabalho. Por terem mais autonomia, os alunos poderão realizar tarefas com textos que ainda não foram apresentados em classe:
Selecionar, dentre os vários causos coletados ou lidos (escolhidos e organizados pelo professor), apenas um para ler aos colegas ou para colocar no mural da sala.
Ler os resumos e comentários que aparecem nas orelhas de diferentes livros para escolher quais deles deverão compor a biblioteca da sala ou qual se levará para casa no fim de semana.
Ler sobre a vida de um escritor cujo texto se apreciou muito.
O essencial aqui é o professor ter a clareza de que pode propor atividades em que a leitura esteja a serviço de diferentes modalidades: do entretenimento (deixar os alunos livres para escolherem um livro e o manusearem de acordo com seus desejos e possibilidades), do estudo (para, depois, os alunos reescreverem ou recontarem determinada história) e do treino da leitura em voz alta. Se levarmos em conta essas questões, poderemos não apenas variar as propostas e os desafios, como também adequar e enriquecer nosso planejamento.
ALUNO LÊ EM VOZ ALTA PARA PEQUENO PÚBLICO EXTERNO
Após a preparação prévia da leitura, os alunos e professores podem organizar pequenas rodas de histórias para que cada aluno do segundo ciclo leia para os colegas do primeiro as histórias selecionadas. Essa prática é importante para o leitor, porque este coloca em jogo suas aprendizagens como o ritmo da leitura, conhecimento sobre características psicológicas das personagens e empostação de voz. Para o aluno ouvinte é igualmente válido, porque tem a chance de observar um colega mais experiente que compartilha seus conhecimentos e que funciona como modelo a ser alcançado.
LEITURA COMPARTILHADA
Uma outra modalidade da leitura em voz alta pode ser feita através da leitura compartilhada que consiste em todos os alunos acompanharem a leitura em cópias próprias. Essa leitura circula por entre os membros do grupo e tanto os colegas como o professor podem auxiliar o aluno leitor na interpretação e compreensão do texto lido.
CONTANDO CAUSOS
Depois de conhecer vários causos, os alunos e o professor poderão decidir quais deles serão recontados para colegas de outras salas e quais servirão para fazer trocas entre os alunos da mesma sala, já que um grupo poderá apresentar, para outro, textos diferentes. Para recontar é necessária uma preparação cuidadosa:
projeto como esse coloca para o professor, vamos dar uma pausa para recolocar uma idéia importante. Percebemos, pelo que foi proposto em leitura e oralidade (ainda nem chegamos na escrita...), serem muitos os cuidados e os encaminhamentos necessários. A fim de que não enlouqueçamos a ponto de não nos sentirmos capazes de realizar esse bonito trabalho, faz-se necessário dizer que não é possível trabalhar com todos os textos e com todas as propostas que aqui estão sendo colocadas. Há que se eleger poucos para construir seqüências didáticas que envolvam leitura, oralidade e escrita. Não estamos afirmando que o professor deve escolher o gênero causo, por exemplo, e só trabalhar com três textos. Devemos nos lembrar da justificativa deste projeto em que aparece a necessidade de se ampliar o universo literário e, por isso, pode-se ler vários textos (quanto mais, melhor). O que estamos dizendo é que apenas com alguns deles será possível o trabalho com as três modalidades da língua, de modo a obter maior aprofundamento.
Ter ouvido o professor ou outros adultos contando causos (funcionam como modelos e intermediários entre o texto e o aluno). Aqui, abre-se um espaço importante para a entrada da comunidade no projeto, pois muitos são, por exemplo, os familiares que sabem e gostam de contar e causos.
Ler diversos causos e conhecer o texto a ser recontado. Esta preparação favorecerá a percepção de detalhes importantes do enredo que não podem ser excluídos, a melhor seqüência para a narração, a entonação e o tom de voz adequados para cada personagem e para os momentos de suspense ou diálogo.
Uma estratégia que pode fazer a diferença é a utilização do gravador na preparação do reconto, pois, ao se ouvirem, os alunos e o professor poderão deter-se em aspectos da produção oral para aprimorá-los, como: ritmo, repetição de expressões, entonação e organização do discurso. O que se propõe, portanto, é a análise do reconto para que algumas mudanças significativas possam ocorrer.
Antes de continuarmos com a apresentação de questões que pretendem ajudar vocês a enxergarem alguns dos problemas e algumas das soluções que um
PRODUZINDO OS TEXTOS
TEXTO COLETIVO – PRODUÇÃO ORAL COM DESTINO ESCRITO
Contar causos facilitará a produção escrita desse tipo de narrativa, pois os alunos já estarão sabendo, de antemão, o que irão escrever. Por isso, poderão pensar mais sobre a linguagem escrita usada em determinado gênero. Vale lembrar que, ao recontarmos um causo, temos o apoio da expressão gestual, da voz que muda dependendo da situação, e tudo isso nos dá pistas sobre certas questões etc. Já, ao escrevermos, não temos esses apoios e por isso devemos explicitar o que for necessário (ao contar, a simples mudança de voz mostra aos ouvintes quem é o personagem que está falando, mas, ao escrever, precisamos utilizar outros recursos, como: ...”e a lebre falou, dois pontos e travessão”). É fundamental que os alunos dominem muito bem o causo para que seu conteúdo e seqüência não apareçam como mais um problema a ser somado.
Um dos primeiros passos para a produção de um texto narrativo é a elaboração de texto coletivo, para a qual o professor funciona como escriba do grupo de alunos.
Ao ocupar esse lugar, ele se torna um modelo de escritor. Deve pontuar adequadamente e escrever o texto com ortografia correta, além de ajudar os alunos a organizarem a tarefa, planejando sua construção: o que escrever e quando; estipular onde há a necessidade da pausa para a retomada do que já foi escrito através da leitura; depois da conclusão de uma primeira versão, pensar em lapidar o texto, propondo aos alunos a busca de expressões mais ricas do ponto de vista literário para substituí-las no texto; permitir que as crianças percebam os vícios de fala presentes; verifiquem o desenvolvimento da trama e a colocação do problema ou assunto a ser solucionado; enriqueçam, com mais detalhes, certas descrições etc.).
Na produção coletiva, é importante que o professor garanta a participação de todos os alunos na elaboração. Para tanto, tem a opção de pedir que a turma se divida em grupos e de dar, a cada um, a tarefa de pensar em um trecho do causo, por exemplo. Nesse momento, o professor pode monitorar as discussões e revezar o papel dos alunos (um produz o texto e dita para que o outro escreva, ou um produz oralmente e o outro se encarrega de ouvir atentamente, comprometido a interromper, caso perceba problemas: “Você pulou tal parte, primeiro vem aquilo” etc.). Outras possibilidades são: o trabalho coletivo, no qual os alunos falariam livremente; e a escolha de alguns alunos para que dêem continuidade ao texto. Enfim, o professor deverá criar diferentes situações para que todos tenham oportunidade de participação de acordo com suas possibilidades
de produzir textos orais com qualidade literária, isso porque colocarão em jogo tudo o que aprenderam nas rodas de leituras: expressões mais usuais, composição dos diálogos, riqueza nas descrições enfim, o que aparece na linguagem que se escreve.
Um outro aspecto diz respeito ao fato de que ao ditarem o texto para o professor ou colega escrever, os alunos poderão aprender a necessidade de ajustar o ritmo da fala ao da escrita.
Obs: há um dado importante sobre a escrita de causos: alguns autores e pesquisadores, como Câmara Cascudo, preferem grafar a maioria das palavras de forma convencional e somente algumas falas de personagens, termos específicos para criar imagens ou aqueles muito típicos de localidades são preservados na transcrição, como por exemplo:
... “COMPRE, PAI! COMPRE A BESTINHA, QUE EU
QUERO AMONTÁ, NO BURRINHO, E CORRÊ NELE QUE
SÓ UMA FLECHA! O MATUTO,VIOLENTO,AVANÇOU
PARA O FILHO (NESSE CASO:AMONTÁ E CORRÊ –
QUESTÃO DE GRAFIA).
ESTAIS DOIDO, GRANDECÍSSIMO; POIS QUERES LOGO
ESCAMBICHAR O BICHINHO!
E DEU FORTE BUFIRRA NO POBRE RAPAZITO,TÃO VÃO
NOS SEUS ANELOS DE FELICIDADE COMO O PAI.”
(NESSE CASO: ESCAMBICHAR E BUFIRRA – TÍPICOS DA
LOCALIDADE).
O Menino e o Burrinho
Coletado por Câmara Cascudo
Livro “Contos Tradicionais do Brasil”
RETOMANDO AS IDÉIAS:
O texto coletivo é, portanto, uma excelente oportunidade para o professor discutir a necessidade da revisão, os momentos adequados para a pesquisa em livros e diferenciar o que é cópia e o que é reescrita de um texto já existente.
É fundamental para os alunos que apresentam maiores dificuldades na escrita, porque dá a chance para que se vejam como sujeitos capazes
Outros autores, como Cornélio Pires, optam por grafar grande parte do texto de forma não convencional, porque preferem manter a forma fiel, ou seja, o causo tal qual foi contado. Exemplo:
O CAUSO DA CARNE PEGÁ É O SIGUINTE:
O SERAFIM TINHA UM NARILÃO DE PARMO,TALEQUÁ BICO DE TUCANO. MEU FACÃO, UA LAPEANA INXUTA, DE DOIS PARMO E MEIO DE FÔIA, TAVA AFIADO QUE ERA UA NAVÁIA... FUI DE CABELLO DE MUIÉ, EU
PINCHAVA PRA RIBA, E CORRIA O FACÃO COBRIANO,
DE ZIG-ZAG, NO AR, REPARTIA O FIO DE CABELLO IN
DEZÓITO PEDACINHO !
CHEGUEMO NO MATO: O SERAFIM IA MEIO DE A-PAR
CUMIGO... FOI UM DESASTRE! NEM É BÃO
LEMBRÁ...TAMEM NUM SEI O QUE É QUE O SERAFIM
TAVA CHERANO NO AR, COAQUELLE NARILÃO VIRADO
PRA RIBA...
FUI GORPEÁ UM GAIO DE CAMBUHY, O FACÃO
PRANCHEÔ...BRANDEÔ...E...FIU ! ...FI AVUÁ O NARI DO
SERAFIM! O PVRE GARRÔ A GRITÁ PONHANO A MÃO
NA CARA :
- TÔ OFFENDIDO E TÔ MUITO DEFEITOSO...PEGUE MEU
NARI INQUANTO TÄ QUENTE E BOTE NO LUGÁ QUE
PEGA OTRA VEIS...
DE COMO O JOAQUIM BENTINHO APARA O NARIZ
DO CUNHADO E, DESASTRADAMENTE, REALIZA UMA
OPERAÇÃO DE PLÁSTICA CIRÚRGICA

Cada vez mais capazes para a realização de tal tarefa. Para reler um texto, o pedido do professor tem que ser claro e restritivo. A criança terá que observar o quê? A coerência do texto? A ortografia de algumas palavras? De todas?
Outros pedidos também poderão ser feitos:
Escrita de um texto, resumindo as características dos principais personagens.
Escrita de trechos dos causos (pensar em três modos diferentes de começar o mesmo causo ou em três finais).
Escrita de comentários sobre os causos lidos que poderão fazer parte de um painel na biblioteca, onde poderão ser consultados e escolhidos por outros alunos.
Escrita de resumos para o catálogo da biblioteca.
Cornélio Pires
Todas essas diferenciações precisam ser levadas em conta pelo professor na hora de decidir qual o melhor caminho para trabalhar com a escrita dos textos, respeitando a forma de escrever do autor escolhido, a cultura popular, a oralidade e também o ensino da língua que se escreve.
TEXTOS INDIVIDUAIS
É muito importante desafiarmos nossos alunos a escreverem, sozinhos, os causos que conhecem. Nessa hora, o professor poderá analisar as produções para investigar problemas específicos de cada um e encaminhar soluções. A proposta pode variar de acordo com o aluno (para alguns, escrever a história toda no mesmo dia; para outros, o começo em um dia, o meio em outro e o fim em um terceiro). O professor também fará uma leitura, mas é fundamental que os alunos não desenvolvam a idéia do “toma que o filho é seu”, ou seja, não devem achar que a melhoria do texto é responsabilidade do professor e não do autor. Mesmo que consigam mudar apenas poucas coisas no começo, se esta for uma atitude construída, aos poucos irão se tornar
REVISANDO OS TEXTOS
Nos momentos de revisão coletiva, o professor deverá explicitar aos alunos que ler para revisar é diferente de ler para se entreter, já que, na revisão, o que se busca são os problemas do texto.
As situações de revisão têm por objetivo possibilitar correções ortográficas e de pontuação, mas não apenas isso. Há que se ler para revisar a qualidade literária dos textos dos alunos, de modo a ajudá-los a inserir recursos próprios do gênero narrativo e a avaliar se o texto se tornou compreensível para alguém que não conhece a história original. Uma boa forma de conferir esse último aspecto é também entregar o texto para que outros leitores façam a apreciação (dar para outra classe ler, por exemplo).
Faz-se necessário que os alunos tomem a ortografia como objeto de reflexão. O que isso quer dizer? Que pensem sobre como as palavras são escritas e que possam construir algumas regularidades. Diferentes atividades poderão ser propostas a partir das palavras que aparecem nos textos, como: a análise do motivo de se escrever determinada palavra com RR na comparação com
outras palavras que tenham RR poderá fazer com que os alunos percebam que os dois erres só aparecem entre duas vogais e para indicar determinado som. No caso das palavras irregulares, pode-se fazer, com a ajuda dos alunos, um cartaz para ser pesquisado. Outra idéia é ditar um parágrafo de determinada história que ofereça palavras que costumam causar dúvidas na hora de escrever. Depois, o professor poderá investigar e discutir sobre a escrita das palavras pelos seus alunos e construir regras em cartazes. Por exemplo, imaginemos que a palavra CABEÇA tenha aparecido das seguintes formas: cabessa e cabesa. Essa é uma palavra irregular, porque não há regra para se saber quando usamos S, SS, Ç, SC na representação desse som. Assim, ela deve ir para o cartaz, já que é bastante usual. Outra questão importante é ensinar as crianças a usarem o dicionário (estratégias rápidas de busca) para que se tornem cada vez mais autônomas.
A revisão dos textos produzidos pelos alunos é uma importante atividade que só tem sentido quando o aluno está presente para poder pensar sobre o que errou. Acontece que existem diferentes níveis de correção. Será que se corrigirmos o texto inteiro, os alunos terão chance de apreender tudo, cada correção? Ou seria melhor se elegêssemos algumas poucas coisas que gerassem discussões boas para destacar, de modo que os alunos pudessem dar sentido a seus erros?
ILUSTRANDO OS LIVROS
Como, freqüentemente, as histórias aparecem nos livros acompanhadas de ilustração, o professor tem a chance de, neste projeto, propor diferentes atividades de desenho para seus alunos. Essas atividades podem promover avanços nas formas de desenhar das crianças e também ajudá-las a pensar em como resolver, via imagem, algumas questões, desde que sejam trabalhadas com intencionalidade.
A ilustração é uma outra linguagem dentro do produto final e não mera decoração. Sendo assim, merece ser tratada com a mesma seriedade e dedicação por parte dos professores e alunos. Ilustrar é entrar no mundo da linguagem estética.
Para se produzir imagens relacionadas ao contexto escrito é necessário que os alunos tenham oportunidade de observar o trabalho de diferentes ilustradores de livros e a relação destes com o contexto. Para essas observações seria interessante que o professor criasse situações em sua sala para apreciação de ilustrações realizadas com diferentes técnicas e resultados: conhecemos, mais comumente, as que partem de desenhos ou pinturas, mas há também ilustrações que surgem de gravuras, colagens, fotografias, fotografias de cenários confeccionados de massa de modelar etc.
A seguir, sugerimos algumas idéias para o encaminhamento com o desenho, mas, caso professor e alunos optem por ilustrações que utilizem outras técnicas e outros materiais, bastará adaptar as sugestões. O fundamental é possibilitar que os alunos entrem em contato com esse tipo de linguagem, o que só se mostra possível através de propostas regulares.
Seria interessante se o professor, ao apresentar o autor dos livros, também se recordasse de apresentar os ilustradores. Ao fazer a leitura, mostrar as ilustrações e conversar sobre como foram produzidas pode ser prazeroso. Observar que, em um livro, as ilustrações aparecem no fim da página e, em outro, nas laterais etc.; apreciar as imagens, percebendo detalhes significativos; os diferentes estilos de trabalho dos ilustradores etc. Outra questão importante é não deixar a confecção das ilustrações apenas para o momento final do projeto.
Alguns encaminhamentos simples podem auxiliar bastante nos avanços dos desenhos dos alunos, como:
No painel da classe, além de se colocar cópias das histórias lidas, listas com títulos, fichas de comentários e pequenas bibliografias de autores conhecidos pode-se pôr cópias xerografadas de algumas boas ilustrações.
Formar uma caixa com imagens para pesquisas (não é para copiar e, sim, para consulta nos momentos de roda de leitura livre). Dentro delas, o professor pode guardar cópias xerografadas de várias ilustrações e classificá-las (diferentes ilustrações de castelos, rios, personagens, personagens em movimento etc.)
Utilizar um caderno de desenho como atividade permanente. Assim, os alunos podem ter dias para fazer desenhos livres, e outros com intervenções selecionadas pelo professor e também com temas definidos previamente (desenhar um personagem a partir de uma descrição que aparece no livro; construir cenários – floresta, castelo, cidade; desenhar um trecho da história etc.). Seria interessante se, nos momentos de utilização do caderno, os alunos pudessem explorar diferentes riscantes (lápis, hidrocor, giz de cera, aquarelas, canetas, carvão etc) com o objetivo de se familiarizarem com os diferentes materiais, ampliando suas possibilidades de expressão plástica.
CONFECCIONANDO OS LIVROS E PÔSTERES
Mesmo antes da confecção dos livros é importante prever, como etapa de trabalho, a organização final dos mesmos: diagramação, tipo de letra, seleção de ilustrações mais adequadas ao texto, índice, texto de apresentação, dedicatória e elaboração da capa. Como já sabemos que isso dá muito trabalho, devemos ter o cuidado de, ao longo do projeto, guardar as produções de texto e de desenho para, no momento final, lançar mão delas e selecionar, junto com a classe, as que farão parte do livro. O produto final deve apresentar produções de cada aluno da sala para que se configure como algo partilhado por todos.
SUGESTÕES DE PRODUTO FINAL
O conjunto dos causos recontados, reescritos ou criados pelos alunos poderá compor produtos finais a serem definidos previamente pelo professor durante a escolha do projeto:
Livro de causos reescritos: este produto é o resultado de textos realizados pelos alunos a partir de diferentes leituras feitas sobre um ou mais autores. Estas produções seguem o enredo do texto-fonte e devem incorporar as novas sugestões dos alunos já que reescrita não é cópia do texto original.
Novos Causos: este produto é o resultado de textos confeccionados pelos alunos a partir de diferentes leituras realizadas sobre causos diversos ou sobre um mesmo tipo de causo, por exemplo, causos de humor. Estas produções (coletivas / duplas / individuais) são criações inspiradas no gênero/autor, mas os alunos terão liberdade de criação de enredo. Pode também haver variações quanto à produção de novos finais para causos conhecidos ou mesmo misturar diferentes personagens num mesmo causo ou ainda criar as histórias dos personagens secundários.
Tudo sobre...: este produto é o resultado de textos feitos pelos alunos a partir de diferentes leituras realizadas sobre um determinado tema ou personagem recorrente em causos como, por exemplo: caipiras, burros, macacos, fazendeiros, morte, fantasmas, feiticeiras, príncipes, bruxas, cavaleiros, rainhas etc. Estes textos descritivos sobre as características físicas e psicológicas de diferentes personagens são criações baseadas em pesquisas, discussões e leituras de diversos autores literários.
Coletânea de Causos: este produto é o resultado de textos confeccionados pelos alunos a partir de diferentes leituras realizadas sobre causos. Estas produções (coletivas/duplas/individuais) podem variar entre reescritas de causos lidos de autores significativos como Câmara Cascudo, Cornélio Pires ou outros pesquisadores e/ou a transcrição de causos coletados na comunidade.
Pôster: este produto pode ser uma outra alternativa para o livro, o qual pode ser produzido para a biblioteca da escola e, para os alunos e outros destinatários, pode-se selecionar textos mais curtos para a criação de pôsteres.
Gravação de histórias ou filmagens: este produto tem como suporte final a fita cassete com causos contados ou recontados pelos alunos a partir dos textos escritos ou reescritos por eles. Deve-se produzir o livro para a biblioteca da escola e, para os alunos e outros destinatários, a fita cassete. No lançamento do produto, pode-se fazer uma audição na própria escola como também na rádio local, caso exista uma na comunidade. Outra possibilidade é filmar os alunos recontando causos, assim como os membros da comunidade.
Publicação em Jornais ou divulgação em Rádio Local: os causos também poderão ser publicados no jornal da cidade (com o texto dos alunos, uma pequena biografia do contador da comunidade – se o causo foi coletado na região) ou então no jornal-mural da escola.
ATIVIDADES PERMANENTES
Empréstimo de Livros: seria interessante estabelecer um dia da semana em que os alunos pudessem levar um livro para ler em casa, desde que se combine, previamente, regras de cuidado e empréstimo do material.
Roda de Histórias ou de Biblioteca: estipular um horário semanal para a “Roda de Histórias” ou “Roda de Biblioteca”. Esta atividade não deverá se restringir ao gênero trabalhado no projeto; afinal, é importante continuar realizando a leitura de todo e qualquer livro que tenha qualidade literária. Nesses encontros, o professor poderá fazer um planejamento que privilegie um determinado tipo de narrativa durante um período, ler diversos livros com um mesmo tipo de personagem ou ainda ler diferentes livros de um mesmo autor ou época. Enfim, deverá tornar a roda instigante para todos os alunos, os quais poderão assumir, também, o papel de leitores e não apenas o de ouvintes.
Roda de Leitura Livre: organizar na sala de aula, uma vez por semana, o espaço para leitura livre dos alunos. Neste espaço, o professor deverá disponibilizar os livros trabalhados no projeto ou em outros projetos para que os alunos possam ler, olhar e pesquisar sem o compromisso de socializar suas observações ou descobertas.
Reconto para outras turmas: pode ser muito interessante se, semanalmente, os alunos se prepararem para contar histórias já conhecidas por eles aos colegas de outras turmas.
Contadores da Comunidade: convidar bons contadores de histórias e causos, da comunidade, para uma roda de histórias semanal.
Caderno de Causos: cada aluno manteria um caderno específico para anotações de causos aprendidos com familiares e pessoas da comunidade. O material coletado seria socializado para o grupo semanalmente.
Gravador de Causos: organizar um rodízio formado pelas crianças para uso do gravador, de modo que tenham a oportunidade de gravar os “causos” que seus familiares queiram contar.
Semana de Literatura: realizar “A Semana de Literatura” na escola com vários eventos organizados por cada turma: painéis sobre os autores lidos, construção de bonecos dos personagens mais famosos, cenários, oficinas de criação literária, rodas de histórias com professor, alunos, pais e outros colaboradores lendo ou contando histórias etc.

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

ALEXANDRINO, Helena e CHAMILIAN, Regina. Contos de espantar meninos. São Paulo: Ática, 2003.vol 1
ALEXANDRINO, Helena e CHAMILIAN, Regina. Contos de espantar meninos. São Paulo: Ática, 2003.vol 2
AZEVEDO,Ricardo. Contos de enganar a morte. São Paulo: Ática, 2003.
AZEVEDO, Ricardo. Foi pro mar colher laranja. São Paulo; FTD, 1996.
AZEVEDO, Ricardo. Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões. Porto Alegre: Projeto, 2001.
AZEVEDO, Ricardo. Meu livro de folclore. São Paulo: Ática, 1999.
AZEVEDO, Ricardo. No meio da noite escura tem um pé de maravilha. São Paulo: Ática, 2002.
BODRIM, Rolando. Contando Causos. São Paulo: Nova Alexandria, 2001.
CASCUDO, Luiz da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
CASCUDO, Luiz da Câmara. Os compadres corcundas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.
LAGO, Ângela. Histórias para sacudir o esqueleto. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2002.
MACHADO, Ana Maria. Histórias a brasileira 1: Moura torta e outras. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2002.
MACHADO, Ana Maria; MORAES, Odilon. Histórias a brasileira 2. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2004.
PRANDI, Reginaldo; ROSA, Rodrigo. Minha querida assombração. São Paulo: Cia das Letras, 2003.
RAMOS, Graciliano. Alexandre e outros heróis. São Paulo: Record, 2003.
ROMERO, Silvio. Contos Populares do Brasil. São Paulo: Landy, 2001.
Vários autores. Contos populares para crianças da América Latina. São Paulo: Ática, 1999. Co-edição Latino-Americana.

2 comentários:

  1. Krika,muito interessante esse seu blog,compartilhando com outras colegas projetos tão importantes e bem feitos!Parabéns!E obrigada por adquirir meu livro,espero que goste e sirva para acrescentar conhecimento as crianças!bjs,

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  2. Oi querida, faço parte do achei blog , passando p conhecer seu cantinho, amei tudo por aki, qta coisa gostosa de ver, já estou te seguindo, dá uma passadinha no meu será um prazer receber sua visitinha, bjs
    acaridadenuncafalha.blogspot.com

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